Catolicismo e Cristianismo

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Apresentação

Download da Bíblia Sagrada

Se você não é ateu, tem grandes chances de ser cristão. O Cristianismo é a religião mais conhecida e com mais adeptos entre os brasileiros. Antes mesmo do Brasil ser descoberto, a Igreja de Roma, com suas paróquias, mosteiros e conventos espalhados por seus domínios, era a maior proprietária de terras de toda a Europa.

Tudo ia bem, até que o dinheiro que entrava cada vez mais nos cofres papais despertou a cobiça de alguns membros da igreja e acabou por levar a muito abuso e corrupção. “A falta de vergonha na Cúria Romana atingiu o clímax”, escreveu um intelectual católico holandês, em 1518.

Um ano antes, o monge agostiniano Martinho Lutero havia pregado 95 teses na porta de uma igreja na Saxônia (parte da atual Alemanha), e fincado o marco da Reforma Protestante. Quem quiser saber mais sobre ela, pode procurar livros de história geral, porque, aqui, já estamos voltando ao presente.

Hoje, muito tempo depois, a Igreja cristã está dividida. Encontramos no Brasil os tradicionais católicos, os protestantes pentecostais, os não pentecostais, as seitas; cada qual achando que seus métodos são os corretos. A grande maioria deles tem também outras afinidades: contam com grupos de jovens e adolescentes e estão prontos a receber quem quiser conhecer um pouco do que acontece dentro da igreja.

Espalhada por todo o país, os católicos contam com a Pastoral da Juventude, um órgão que como o próprio nome sugere trabalha com os jovens. Como conta o padre Tarcísio dos Santos, coordenador de Pastoral da Inspetoria Salesiana de São Paulo, as ações da pastoral têm sido feitas no sentido de convidar os adolescentes para participar da vida da Igreja e ela está aberta para todos.

Quem se interessar, pode procurar alguma paróquia perto de casa e se informar sobre as atividades dos jovens. Normalmente, encontrará dias de reflexão, retiros, encontros e viagens.

  • Cristianismo
  • As Três Doutrinas Essenciais do Cristianismo
  • A Trindade
  • Os Primeiros Cristãos
  • Igreja
  • Missão da Igreja
  • A Hierarquia na Igreja
  • A História da Igreja
  • História da Igreja no Brasil
  • Notas da Igreja

Cristianismo

A história da cristandade (âmbito de atividade sectária dominada por religiões que afirmam ser cristãs. “Cristianismo” refere-se à forma original de adoração e acesso a Deus ensinada por Jesus Cristo), com suas guerras, inquisições, cruzadas e hipocrisia religiosa, não ajudou a causa do cristianismo. Muçulmanos devotos e outros apontam para a corrupção moral e a decadência do mundo ocidental “cristão” como base para rejeitar o cristianismo.

Credenciais de Jesus

O primeiro versículo das Escrituras Gregas Cristãs, comumente conhecidas como Novo Testamento (veja o quadro abaixo), declara: “O livro da história de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abrão.” (Mateus 1:1) trata-se de duma afirmação infundada de Mateus, um ex-cobrador de impostos judeu, discípulo imediato e biógrafo de Jesus ? Não. Os 15 versículos seguintes apresentam a linha de descendentes de Abraão até Jacó, que “tornou-se pai de José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado “cristo”. Por conseguinte, Jesus realmente era descendente de Abraão, Judá e Davi, e, como tal, tinha três das das credenciais do predito “descendente” [“semente”] de Genêsis 3:15 e de Abraão. – Gênesis 22:18; 49:10; 1 Crônicas 17:11.

Outra credencial para a Semente messiânica seria seu lugar de nascimento. Onde nasceu Jesus ? Mateus nos diz que Jesus “[nasceu] em Belém da Judéia, nos dias de Herodes, o rei”. (Mateus 2:1) O relato do médico Lucas confirma isso, dizendo-nos sobre o futuro pai adotivo de Jesus: “José … subiu também da Galiléia, da cidade de Nazaré, e foi à Judéia, à cidade de Davi, que se chama Belém, por ser membro da casa e família de Davi, a fim de ser registrado com Maria, que lhe fora dada em casamento, conforme prometido, nesta ocasião já em estado avançado de gravidez.” – Lucas 2:4,5.

Por que era importante que Jesus nascesse em Belém, e não em Nazaré, ou em outra cidade qualquer ? Por causa duma profecia proferida no oitavo século AEC pelo profeta hebreu Miquéias: “E tu, Belém Efrata, pequena demais para chegar a estar entre os milhares de Judá, de ti me sairá aquele que há de tornar-se governante de Israel, cuja origem é de desde os tempos primitivos, desde os dias do tempo indefinido.” (Miquéias 5:2) Assim, seu lugar de nascimento dá a Jesus mais uma credencial para ser a prometida Semente e o Messias – João 7:42.

Quem Escreveu a Bíblia ?

A Bíblia cristã consiste em 39 livros das Escrituas Hebraicas chamados por muitos de Velho Testamento, e 27 livros das Escrituras Gregas Cristãs, comumente chamados de Novo Testamento (A Bíblia Católica inclui alguns livros a mais, que forma os Apócritos, e que não são encarados como canônicos pelos judeus e protestantes). Assim, a Bíblia é uma biblioteca em miniatura de 66 livros escritos por cerca de 40 homens, no período de 1.600 anos de história (de 1512 AEC a 98 EC).

As escrituras gregas incluem quatro Evangelhos, ou relatos da vida de Jesus e das boas novas que ele pregou. Dois destes foram escritos por seguidores imediatos de Cristo, Mateus, um cobrador de impostos, e João, um pescador. Os outros dois foram escritos por dois primitivos crentes, Marcos e Lucas, este um médico. (Colossenses 4:14) Depois dos Evangelhos vem Atos dos Apóstolos, um relato dos primórdios da atividade missionária cristã, compilado por Lucas. A seguir, 14 cartas do apóstolo Paulo a vários cristãos individuais e congregações, seguidas por cartas de Tiago, Pedro, João e Judas. O último livro é Revelação, ou Apocalipse, escrito por João.

Que tantas pessoas de formações diversas e que viveram em diferentes épocas e culturas pudessem produzir um livro tão harmonioso é forte prova de que a Bíblia não é mero produto da inteligência humana mas sim inspirada por Deus. A própria Bíblia diz: “Toda a Escritura é inspirada por Deus [literalmente:”soprada por Deus”] e proveitosa para ensinar.” Assim, as Escrituras foram escritas sob a influência do espírito santo, ou força ativa, de Deus. – 2 Timóteo 3:16, 17, Int.

As Três Doutrinas Essenciais do Cristianismo

A própria Bíblia revela que estas doutrinas são essenciais à fé cristã. Elas são: 1) a Divindade de Cristo, 2) Salvação pela graça, e 3) a Ressurreição de Cristo. Estas são as doutrinas que a Bíblia diz que são necessárias. Certamente existem muitas outras doutrinas importantes; estas três, porém, são as únicas que são declaradas pela Escritura como sendo essenciais. O verdadeiro regenerado pode ser ignorante a respeito de uma ou mais destas doutrinas no início da sua vida com Cristo, mas ele terá um entendimento apropriado destes três assuntos assim que ele começar a estudar a Palavra de Deus. Uma pessoa não regenerada, ou um membro de uma seita (i.e., Mórmon ou Testemunha de Jeová, por exemplo), negará uma ou mais destas doutrinas essenciais.

1. A Divindade de Cristo

1. Jesus é Deus em carne (João 8:58 com Êxodo 3:14). Veja também Jo 1:1,14; 8:24; 10:30-33.

1. 1 Jo 4:2-3: “Nisto reconhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo.”

2. i. – Os versos acima precisam ser cruzados com Jo 1:1,14 (também escrito por João) onde ele afirma que o Verbo era Deus e que o Verbo se tornou carne.

ii. – 1 Jo 4:2-3 está dizendo que se você nega que que Jesus é Deus em carne então você é do espírito do anticristo.

2. Jo 8:24: “Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados.”

1.- Jesus diz aqui que se você não crer que “EU SOU” você morrerá nos seus pecados. Em grego, “eu sou” é ‘ego eimi’, que significa ‘eu sou.’ Estas são as mesmas palavras usadas em Jo 8:58 onde Jesus diz “… antes que Abraão existisse, eu sou.” Ele estava atribuindo a si o título divino usado em Êxodo 3:14 na Septuaginta Grega. (A Septuaginta é o Antigo Testamente hebraico traduzido para o grego.)

3.Jesus é o próprio objeto da fé.

1.Não é suficiente apenas ter fé. A fé é válida somente se colocada em alguma coisa. Você deve colocar a sua fé no objeto apropriado. As seitas têm falsos objetos de fé; portanto, sua fé é inútil — não interessa quanto sejam sinceros.

2.Se você colocar a sua fé em um tubo de vácuo, então você terá um bocado de dificuldades no dia do juízo. Você pode ter uma grande fé, mas só isso não pode salvar você. Ela deve ser colocada na pessoa certa, Jesus.

4.A doutrina da Divindade de Cristo inclui:

1.A Trindade – Existe um Deus que existe em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Eles são co-iguais, co-eternos e da mesma natureza.

2. Monoteiísmo – Existe um único Deus e nunca existiu outro (Isaías 43:10; 44:6,8; 45:5). Os Mórmons acreditam que existem muitos deuses que servem e adoram somente um. Portanto, eles são politeístas, o que os exclui do campo do Cristianismo.

5. União Hipostática – Jesus é tanto Deus como homem.

A suficiência do sacrifício de Cristo – o sacrifício de Cristo é completamente suficiente para pagar pelos pecados do mundo.

1.Como Deus – Jesus deve ser Deus para poder oferecer um sacrifício de valor superior ao de um simples homem.

Ele teve de morrer pelos pecados do mundo (1 João 2:2). Somente Deus poderia fazer isso.

2.Como homem – Jesus deveria ser homem para poder ser um sacrifício pelo homem.

Como homem Ele pode ser o mediador entre Deus e os homem (1 Tim. 2:5).

2. Salvação pela graça

1.”Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8-9, NVI).

2.”De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes” (Gl 5:4).

1a.Este versículo e seu contexto ensinam claramente que se você crê que será salvo pela fé e pelas suas obras, então você não será salvo. Isto é um erro comum nas seitas. Porque eles têm um falso Jesus, eles têm uma falsa doutrina da salvação. (Leia Rm 3-5 e Gl 3-5).

2a.Você não pode acrescentar nada ao trabalho de Deus. Gálatas 2:21 diz: “Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça vem pela lei, Cristo morreu em vão!” (NVI).

3.”Portanto, ninguém será declarado justo diante dele baseando-se na obediência à lei, pois é mediante a lei que nos tornamos plenamente conscientes do pecado” (Rm 3:20, NIV).

1a.”Todavia, ao homem que não trabalha, mas confia em Deus que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça” (Rom. 4:5, NIV).

2a.”Então, a lei opõe-se às promessas de Deus? De modo nenhum! Pois, se tivesse sido dada uma lei que pudesse conceder vida, certamente, certamente a justiça viria da lei” (Gal. 3:21, NIV).

3. A Ressurreição de Cristo

1.”E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a nossa fé” (1 Co 15:14). “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Co 5:17).

2. Ignorar a ressurreição física de Jesus é anular a Sua obra, Seu sacrifício e a nossa ressurreição.

3. Estes versículos afirmam claramente que se você diz que Cristo não ressuscitou da morte (no mesmo corpo em que Ele morreu — Jo 2:19-21), então a sua fé é inútil.

(Um comentário em Gl 1:8-9: “Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado” (NIV). Estes dois versos de Gálatas poderiam ser considerados a quarta doutrina essencial. Mas, Gal. 1:8,9 está simplesmente estabelecendo a necessidade de crer na mensagem do Evangelho que, na sua integridade, diz que Jesus é Deus em carne, que Ele morreu pelos nossos pecados, ressuscitou da morte e dá graciosamente a vida eterna àqueles que crêem.

1 Co 15:1-4 define o que é o evangelho: “Irmãos, quero lembrar-lhes o evangelho que lhes preguei, o qual vocês receberam e no qual estão firmes. Por meio deste evangelho vocês são salvos, se se apegarem firmemente à palavra que lhes preguei; caso contrário, vocês têm crido em vão. Pois o que primeiramente recebi, também lhes transmiti: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” (NIV). Nestes versículos está a essência do evangelho: Cristo é Deus em carne (Jo 1:1,14; Cl 2:9); Salvação é recebida pela fé (Jo 1:12; Rm 10:9-10), mediante a graça; e a ressurreição é mencionada no versículo 4. Por conseguinte, esta mensagem evangélica inclui as doutrinas essenciais.)

Cronologia Bíblica do Antigo Testamento
Ax
pré-existência de Cristo
Jo
1:1
Gn
1:1
Satanás
expulso do céu
Is
14:12-17
Seis
dias da criação
Gn
1:3-26
Jardim
do Édem
Gn
2:8-17
Da
Criação ao
Queda
de Adão e Eva
Gn
3:1-7
Expulsão
do Édem
Gn
3:21-24
Caim
mata Abel
Gn
4
Nascimento
de Noé
Gn
5:28-29
O
Dilúvio
Gn
5:28-29
A
Torre de Babel
Gn
11
Nascimento
de Abrão
Gn
11:27
Do
Dilúvio aos
Abrão
torna-se Abraão
Gn
17
Nascimento
de Isaque, Jacó e José
Gn
21-30
José é vendido
como escravo no Egito
Gn
37:28
Fome
e ida dos Hebreus para o Egito
Gn
41
Dos
Patriarcas até
A
população de hebreus Cresce
Gn
47:27
A
Escravidão e Opressão do povo
Ex
8
1606
– 1462 a.C.
Nascimento
de Moisés
Gn
21-30
A
pragas contra o Egito
Ex
7-11
Os
Hebreus são libertos e depois perseguidos
Ex
12
O Êxodo
para
Atravessando
o Mar Vermelho
Ex
13-15
Recebendo
os 10 Mandamentos
Ex
20
(Ex
13 – Nm 21)
Israel
vagueia pelo deserto por 40 anos
Nm
14
1462
– 1065 a.C.
A
conquista e a divisão de Canaã
Js
6-12
Israel
torna-se uma nação
1200-750
a.C.
reinado
de Saul
Nascimento
de Sansão
Jz
13
(Js
1 – 1 Sm 8)
Saul
torna-se o primeiro rei
1
Sm 9
1422
– 1065 a.C.
Davi
mata Golias
1
Sm 17
Davi
torna-se rei
2
Sm 5
O
reinado de Davi
Davi
com Bateseba
2
Sm 11
2
Sm 5 – 1 Rs 2
A
rebelião de Absalão
2
Sm 12
1025
– 985 a.C
Davi
prepara os materiais para o templo
1
Cr 22
Salomão
torna-se rei
1
Rs 1
Salomão
pede a Deus sabedoria
1
Rs 3
O
reinado de Salomão
A
construção do Templo
1
Rs 6
1
Rs 2 – 1 Rs 11
Declínio
de Salomão
1
Rs 11
985
– 945 a.C.
A
nação de Israel divide-se em duas: Judá ao Sul
e Israel ao Norte. Neste período há uma sucessão
de reis. Muitos eram maus, uns poucos eram louvados.
Durante este tempo Elias realizou seu ministério.
Jonas pregou em Nínive. Roma foi fundada. O templo
foi restaurado.
O
Reino Dividido (Israel e Judá) de Salomão à Queda
de Israel 945 – 721 a.C.
Israel
e Judá caem ante potências estrangeiras. Profecias
de Miquéias. Martírio de Isaías. Nascimento de
Jeremias. Nascimento de Daniel. Profecias de
Zacarias. Nascimento de Ezequiel. Pregação de
Jeremias.
A
Queda de Israel e a Queda de Judá
Grécia
torna-se a potência mundial – 333-63 a.C. Roma
torna-se a potência mundial – 63 a.C. – 476 d.C.
Deus não fala por cerca de 400 anos
Período
Inter- testamentário

A nação de Israel divide-se em duas: Judá ao Sul e Israel ao Norte. Neste período há uma sucessão de reis. Muitos eram maus, uns poucos eram louvados. Durante este tempo Elias realizou seu ministério. Jonas pregou em Nínive. Roma foi fundada. O templo foi restaurado.

O Reino Dividido (Israel e Judá) de Salomão à Queda de Israel 945 – 721 a.C.

Israel e Judá caem ante potências estrangeiras. Profecias de Miquéias. Martírio de Isaías. Nascimento de Jeremias. Nascimento de Daniel. Profecias de Zacarias. Nascimento de Ezequiel. Pregação de Jeremias.

A Queda de Israel e a Queda de Judá

2 Rs 16; Is 21

721 – 586 a.C.

Grécia torna-se a potência mundial – 333-63 a.C. Roma torna-se a potência mundial – 63 a.C. – 476 d.C. Deus não fala por cerca de 400 anos

Período Inter- testamentário

400 a.C – 5 d.C.

A Trindade

Deus é uma trindade de pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai não é a mesma pessoa que o Filho; o Filho não é a mesma pessoa que o Espírito Santo e o Espírito Santo não é a mesma pessoa que o Pai. Eles são pessoas distintas; ainda assim, são todos o mesmo único Deus. Eles estão em perfeita harmonia consistindo de uma única substância. Eles são co-eternos, co-iguais e co-poderosos. Se qualquer deles fosse retirado, então não haveria Deus

Os Primeiros Cristãos

Pôncio Pilatos, procurador da Judeia no ano 26, nos fins do principado de Tibério, caído no desfavor de Roma dez anos mais tarde por Ter governado mal a província, seria hoje lembrado apenas como pobre representante do serviço imperial se não fosse a sua responsabilidade na condenação e crucificação de Jesus Cristo. Na arte primitiva cristã, Pilatos é usualmente representado a lavar as mãos, personificação da sua fraquesa diante da turba judaica. Contudo, para os cristãos modernos, este ato simbólico de descompromisso com a culpa sangrenta é menos dramático do que a grave entrevista que o precedeu, entre os representantes da autoridade espiritual e temporal. Estranha oportunidade é o fato de o primeiro texto existente do Novo Testamento, um retalho do Evangelho de S. João, em papiro, recordar algo dessa extraordinária conversa. O fragmento da página copiada no Egito nos meados do século II, e originalmente parte de um códice, ou livro encadernado, está agora guardado na John Rylands Library, em Manchester. A leitura dos dois fragmentos como partes de S. João, XVIII, vv. 31-33 e 37-38, não se põe em dúvida, pois, sempre que confrontada, condiz com o texto estabelecido em códices posteriores. As passagens são estas:

“Os judeus disseram-lhes, pois: não é legal entre nós condenarmos um homem à morte – para que se cumprisse a palavra que Jesus dissera, significando a morte de que devia morrer. Então Pilatos entrou na sala do julgamento outra vez, chamou Jesus, e disse-lhe: És o Rei dos Judeus ?”

E depois:

“Para isso nasci e para isso vim ao mundo, para testemunhar a verdade. Os que são da verdade ouvem a minha voz. Pilatos perguntou-lhe: O que é a verdade ? E quando disse isso, foi outra vez para junto dos judeus e disse-lhes: Não lhe encontro culpas.”

Ambas as passagens, em especial a Segunda, ficariam momoráveis, mesmo fora do contexto, e foi na fé de que “os que são da verdade ouvem a minha voz” que a Igreja primitiva começou a levar a mensagem cristã a todas as nações.

O principal registro da primeira expansão da Igreja depende de duas divergentes fontes literárias complementares: os apologistas cristãos e os autores pagãos. O esboço do quadro representado por ambos é notavelmente constante, embora aqui e ali os pormenores possam ser confusos e sujeitos a mais do que uma interpretação, muito raramente, contudo, em matéria de substância. Outra feição da história cristã é a sua continuidade a partir do século I até aos nossos dias. Claro que se pode dizer da Igreja que nenhuma outra instituição de comparável antiguidade se encontrada tão completamente documentada. O total dos manuscritos originais que sobrevive é naturalmente infinitesimal em quantidade, comparado com o volume de obras preservadas por gerações de copistas. No entanto, onde quer que exista, raramente se contradiz, e quase sempre confirma a tradição literária e histórica. As inscrições formam um corpo importante de material original, mas numa era de insegurança, e por vezes de verdadeira perseguição, os sentimentos puramente cristãos não eram, asa mais das vezes, expressos claramente. A regra era antes a linguagem velada e não documentada.

Tal como não há muito tempo os “Bretões Antigos” eram popularmente indicados em termos de druidas, coracles e isátis, também a era dos primeiros cristãos foi frequentemente indicada como a idade das perseguições constantes. Dentro do Império Romano não aconteceu propriamente assim, e durante dois séculos a perseguição foi esporádica, localizada e raramente em grande escala. Só nos meados do século III, com o rápido declínio da posição militar e a decadência da situação política do império, os cristãos foram sistemática e selvaticamente perseguidos.

Nos primeiros anos, os Romanos consideravam o cristianismo como uma seita do Judaísmo. Suetónio, na sua Vida de Cláudio, recorda a expulsão dos judeus de Roma, que “continuamente criavam distúrbios por instigação de Chrestus”. Suetónio nem sequer compreendia que Chrestus, ou Cristo, não era um chefe judaico vivo desse tempo. Mesmo os judeus reagiram fortemente contra a nova religião por a considerarm capaz de derrubar as próprias bases da sua lei; essa oposição teria sido muito mais terrível se não estivessem durante algum tempo aniquilado politicamente, após a destruição do Segundo templo, por Tito, em 70. Há apenas uma linha a dividir a perseguição religiosa da política, visto a primeira ser muitas vezes um pretexto para a segunda. Assim, este capítulo diz respeito principalmente às relações dos cristãos com o poder civil e, primeiro que tudo, com o poder civil de Roma.

O grande incêndio de Roma começou em 18 de junho de 64 e durou nove dias. Muitos pensavam que tinha sido iniciado pelo próprio imperador e que por isso, “”para afastar os rumores, Nero levou a tribunal e sujeitou às mais refinadas torturas aqueles que o povo odiava pelos seus crimes e chamava cristãos”. Assim escreveu Tácito, uns cinquenta anos depois do acontecimento, continuando a registrar o sentimento de compaixão da população para com a “grande multidão” denunciada por camaradas cristãos condenados que depunham contra os seus cúmplices. O cristianismo, nas palavras de Tácito, era uma “superstição perniciosa” (exitiabilis superstitio). No entanto, os sofrimentos das vítimas faziam pena e a “vasta multidão” continuava a crescer. Não muito depois do incêndio – se na tradição firme, sem nenhuma prova em contrário, se deve acreditar – S. Pedro e S. Paulo foram martirizados em Roma.

Nem todos os imperadores romanos eram Neros e, durante quase um século após o assassinato daquele, os cristãos viveram num estado pouco invejável de incerteza e insegurança, com a Roma imperial soprando ora quente ora fria, conforme ditava o interesse político do momento. Para os defensores do cristianismo, especialmente para os que escreviam muito depois dos acontecimentos que relatavam, o papel dos Romanos era com frequência simplicado em termos de maldade calculada. É óbvio, através de muitos escritos pagãos, que isso se baseava muitas vezes num total mal-entendido da posição cristã. A famosa correspondência entre Plínio, governador da Bitínia, e o imperador Trajano, sugere, mais do que dois monstros de iniquidade, dois homens embaraçados, resolvidos a serem escrupulosamente leais para com uma seita considerada viciosa e ateísta. Qualquer pessoa culpada de cristianismo, escreveu Trajano, que estivesse preparada para ser retratar, devia de ser rejeitada “como um mau precedente e contrário ao espírito dos nossos tempos”. Mesmo assim, foi no principado de Trajano que Sto. Inácio, bispo de Antioquia, foi trazido a Roma para sofrer, na arena, uma execução bárbara.

Mas a personalidade divididida de Roma oficial não é melhor exemplificada em parte alguma do que no belo relato do martírio que S. Policarpo de Esmirna, um discípulo de S. João Evangelista, sofreu durante o governo do mais humano dos imperadores, Antonino, o Pio (138-161). Depois da sua prisão, Policarpo foi chamado pelo chefe da política para se retratar. “Na verdade – disse ele – que mal há em dizer Senhor César e em oferecer-lhe incenso e o resto e assim ser salvo ?” Policarpo replicou: “Durante oitenta e seis anos servi a Cristo e Ele não me enganou. Como vou agora blasfemar o meu Rei e Salvador ?” Uma pergunta respondida com outra pergunta, e S. Policarpo foi queimado. Por esse tempo, uma pequena memória, ou santuário, em honra de S. Pedro, estava a ser erigida no socalco sul da colina do Vaticano, em Roma.

Seria errado responsabilizar apenas Antonino pelo martírio de S. Policarpo e de alguns outros. Em geral, ele seguiu a política relativamente humana dos seus antecessores, Adriano e Trajano, pela qual os cristãos não deviam ser perseguidos nem, se acusados, condenados, a não ser que se pudesse provar terem infringido as leis – um cláusula na qual se incluía a recusa de sacrificar ao imperador como a um deus.

Um longo período de relativa paz par a Igreja terminou abruptamente pela promoção do filho adotivo de Antonino, Marco Aurélio (161-180). Estóico convicto e praticante, homem de disposição mansa, afetuoso e leal, no seu tratamento com os cristãos provou ser implacavelmente intolerante, e as perseguições que promoveu foram piores por serem dirigidas por um espírito treinado e eficiente. Com uma vida assediada por dificuldades familiares e forçado a consumir-se no confronto com a ameaça dos Bárbaros em campanhas militares para as quais não tinha inclinação natural, o imperador via nos cristãos, com o seu suposto ateísmo, a fons et origo de todos os seus problemas. Nunca saberemos se ele leu ou não a Embaixada de Atenágoras, em que todas as acusações apresentadas contra os cristãos – ateísmo, canibalismo e imoralidade sexual – eram mais do que adequadamente refutadas. Atenágoras dedicou o seu livro a Marco Aurélio e a seu filho Cómodo, como filósofos, não menos do que como imperadores, entre 176 e 180, nos fins do principado de Marco, mas a violência da perseguição não decresceu com o avançar dos anos. Justino, o Mártir, defensor do cristianismo, foi uma vítima notável do primeiro período, mas a pior perseguição que estava reservada à Igreja aconteceu na Gália, em 177, quando Blandina, uma moça escrava, e os seus companheiros foram executados em Lião com um sadismo que deve ter poucos paralelos na história humana. Às vítimas, cuja crença na ressureição do corpo era bem conhecida das autoridades, até os ritos do enterro foram negados, e os restos, reduzidos a carvão, foram lançados ao Ródano como se assim fossem privadas da esperança que as tinha fortificado no sofrimento.

Num panorama de tão horríveis acontecimentos o avanço da Igreja continuava firme, e isso prova-o o chamado “Monumento de Avircius”. Por curiosa coincidência, o texto da inscrição era conhecido antes da descoberta da pedra original por Sir William Ramsay, em 1883, e já citado no século IV, numa Vida de Avircius Marcellus, bispo de Hierápolis, cidade da Pentápole frígia.

O epitáfio, composto pelo próprio Avircius aos 72 anos, consiste de 22 hexâmetros, caracterizados como “coxos” pelo arcebispo Carrington e como “elefantes” por Sir William Calder – com um maior sentido de justiça para um frígio da era cristã –, em que o bispo descrevia a sua visita a Roma no principado de Marco Aurélio e as suas subsequentes viagens no Oriente. A linguagem é enigmática, sendo essa a clara inteção do autor. No entanto, embora composta de tal jeito que não poderia ter ofendido um pagão, a interpretação cristã causa poucas dificuldades.

“Cidadãos de uma cidade escolhida, levanto esta pedra em minha vida para que, a seu devido tempo, eu possa Ter um lugar de descanso para o corpo. O meu nome é Avircius, discípulo de um pastor puro com os olhos que vêem tudo e que pastoreia os seus rebanhos nas montanhas e nas planícies. Ele ensinou-me o verdadeiro conhecimento e mandou-me a Roma para observar o poder e admirar um rainha de vestidos e sandálias de ouro, e aí eu vi um povo marcado com um claro sinal. Vi também a planície da Síria e todas as suas cidades, e Nísibis para além do Eufrates. E em todos os lados encontrei irmãos, com Paulo nas minhas mãos, e fé por toda a parte. Em toda a parte também eles me deram de comer do grande peixe puro, da nascente, que uma virgem sem mácula apanhou, e ela dava continuamente dessa comida aos irmãos, com bom vinho, e a taça ao mesmo tempo que o pão. Estas coisas eu, Avircius, fiz com que, aos 72 anos, fossem escritas na minha presença. Que cada crente que leia isso reze por Avircius. Mas que ninguém ponha outro corpo no meu túmulo e, se alguém o fizer, que pague 2000 pelas de ouro ao Tesouro Imperial, e mais mil à bela cidade de Hierápolis”.

Embora durante alguns anos a dura política de Marco Aurélio lhe sobrevivesse nas partes mais remotas do império, foi por acaso, mais do que por desígnio, e sob o governo de seu filho Cómodo (180-193), que os cristãos foram deixados em paz. Com maior intensidade houve uma onda de terror na primeira parte do principado de Severo (193-211), especialmente no Norte de África (em Alexandria e em Cartago), mas a primeira metade do século III foi relativamente pacífica. As várias excentricidades de Caracala (211-217) e de Heliogábalo (218-222) não os levaram a perseguir a Igreja, enquanto o gentil Severo Alexandre deu a Cristo um lugar, ao lado de Abraão e de Orfeu, no seu oratório particular. De Filipe, o Árabe, constatava que era convertido ao cristianismo. Houve paz por algum tempo, mas o pior estava ainda por vir. No entanto, a sua vinda constituiu a medida do aumento da força da Igreja, à qual nem mesmos os membros da casa imperial ficaram imunes.

O desenvolvimento do cristianismo coincidiu com a decadência da velha ordem pagã, e Décio (249-251) assumiu a púrpura após o assassinato de Filipe num ambiente sombrio de pressão militar no estrangeiro e declínio de moralidade pública e privada. Voltando as costas ao presente, ele tomou o nome de Trajano para frisar o regresso aos princípios de um imperador cujas qualidades morais se haviam tornado conhecidas (“mais feliz do que Augusto e melhor do que Trajado, era o que se dizia”), e expulsou o mal, conforme o entendia, num ataque ao cristianismo. De todas as religiões orientais que se supunha minarem a segurança do Estado Romano e o caráter do seu povo, só o cristianismo se recusara ao acordo quanto à adoração ortodoxa do imperador. Ao aceitar a vara da lealdade, Décio concentrou o seu ataque nos dirigentes da Igreja, isto é, na hierarquia. Uma vez eliminados ou desacreditados, os bispos deixariam atrás de si – ele assim o esperava – uma turba desorganizada que facilmente se varreria da face da terra. Contudo, o seu programa falhou, porque a hierarquia, e em especial Cipriano de Cartago, viu que a sua própria segurança vital era vital para a sobrevivência da Igreja. Assim, não solicitou, como S. Policarpo, a prisão e o martírio, antes se pôs fora do alcance dos perseguidores e continuou de longe a dirigir o rebanho. A perseguição falou também porque depois de a onda de apostasia entre os irmãos mais fracos se ter acalmado, ficou um coração de resistência, prova certa contra todos os julgamentos. Este curto mas intenso período de perseguição deixou um legado de amargor no cisma do antipapa Novaciano e seus adeptos, opositores da generosa política dos papas Cornélio e Cipriano, pela qual os apóstatas penitentes podiam ser inteiramente reintegrados na comunhão da Igreja.

A morte de Décio na batalha contra os Godos foi seguida de dois anos de anarquia, proporcionando aos fatigados cristãos tempo para respirar. Finalmente, depois de dois golpes militares em que os imperadores Triboniano Galo e Emiliano foram sucessivamente assassinados com os filhos, Valeriano, um dos mais capazes oficiais de Décio e homem que tinha representado o difícil papel de censor durante o mesmo principado, tomou o poder em 253. Tal como Décio, iniciou uma perseguição geral, um vez mais marcada por um ataque á hierarquia, e o próprio S. Cipriano foi perseguido e martirizado em Cartago. Mais tarde, por uma série de leis cuidadosamente reguladas, reduziu os cristãos não executados à categoria de cidadãos de segunda classe, despojando-os de todas as honras que possuíssem e confiscando-lhes os bens. A violência desta perseguição levara muitos a crer que a existência do centro do culto de S. Pedro e S. Paulo na Basílica dos Apóstolos, na Via Ápia foi devida à trasladação das relíquias dos apóstolos dos seus túmulos tradicionais na colina do Vaticano e na Porta Óstia com o fim de evitar a violação dos mesmos. Até onde a política de Valeriano podia ter resultado, se ele se conservasse imperador, é impossivel avaliar, pois em 260 foi aprisionado por Sapor I, da Pártia, e morreu no cativeiro. O seu filho e sucessor, Galiano (260-268), teve de enfrentar no seu principado uma situação militar desastrosa e a ameça de colapso de toda a ordem imperial Nas províncias orientais, além da invasão da Síria e da Sicília por Sapor, deu-se uma revolta de “imperadores” usurpadores, enquanto Palmira a rainha Zenóbia se aventurava a uma campanha que mais tarde separaria o Egito e a Síria da aliança romana. Na Gália, durante os últimos anos de Valeriano, o usurprador Postúmio levantou um império com todas as insígnias romanas. Confrontando com uma situação que teria pesado a um caráter muito mais forte do que o dele, Galiano não se inclinou a acrescentar às suas dificuldades a continuação da perseguição dos cristãos. Daí Ter lançado um rescrito através do qual a liberdade de culto e as propriedades confiscadas por Valeriano seriam restituídas à Igreja.

Durante mais de uma geração, os cristãos ficaram mais ou menos em paz, e a Igreja consolidou a sua posição até que, como sabemos, se tornou invencível. Na Ásia Menor e na Síria, uma grande parte da população – talvez uns dez por cento – era cristã, enquanto na longínqua Grã-Bretanha a Igreja tinha feito bastantes progressos na primeira metade do século III, embora Tertuliano e Orígenes a censurassem, dizendo que ainda não era o suficiente. Tanto no Oriente como no Ocidente, a organização interna estava a tomar a forma hoje familiar. Desenvolveu-se uma liturgia para a administração dos sacramentos e nasceu a nova arte inspirada e dedicada ao serviço do cristianismo. Até mesmo a cisma e a heresia, como um presságio fúnebre de complicações futuras, constituíam preocupação dos chefes da Igreja. A última perseguição geral, nos princípios do século IV, sob o governo de Dioclesiano (284-305), foi mais feroz do que todas que a precederam. Estava, porém, predestinada a falhar, derrotada pela própria vastidão do seu propósito. Claro que as palavras tantas vezes repetidas no Martirológico Romano: “que encontrou a morte durante o governo do imperador Diocleciano”, são menos um canto fúnebre do que um estribilho triunfante.

Após a morte de Galiano, o principado tornara-se cada vez mais um exercício puramente militar a ser desempenhado por um dos comandantes famosos na ocasião. Alguns desses imperadores-soldados, homens como Cláudio, o Gótico, o brilhante Aureliano e Probo, eram generais de grande craveira e, sob o seu governo, o império gozou um descanso temporário. Aureliano (270-275), canalizando a observância religiosa, com excepção da cristã, para o seu novo culto ao Sol Vitorioso, infundiu por algum tempo nova vida ao paganismo. Todavia, com o inconsiderado assassinato de Probo em 282 e a sucessão, por um golpe militar, de Caro, estabeleceu-se, quase imediatamente, a anarquia. Em 284, Caro e o filho, Numeriano, foram mortos, o último devido a uma conjura de um tal Áper, prefeito da Guarda Pretoriana. Áper foi preso e sujeito a julgamento mas, antes de o processo ser iniciar, Dioclesiano, um jovem oficial ilírico, de nascimento humilde mas de grande capacidade militar, que fora aclamado princeps pelo exército na sucessão de Numeriano, matou o assassino com a sua lança. Assim diz a história que Dioclesiano cumpriu a profecia de uma sacerdotisa gaulesa de que ele se tornaria imperador depois de Ter matado um javali bravo. O exército de Carino, o filho sobrevivente de Caro, estava ainda em campo, mas, após uma curta campanha que só durou alguns meses, reuniu-se a Dioclesiano, e Carino foi executado. O imperador tinha agora a aliança de todo o exército, e com o seu principado começou uma nova era na história do Velho Mundo. Porém, ao passo que o corpo do Estado rejuvenescia, o paganismo, o espírito que o devia ter animado, enfraquecia. Foi o gênio de Constantino que converteu essa fraqueza fundamental numa nova ordem e que protegeu o principado com a única força espiritual bastante bem organizada para assegurar a sobrevivência do império.

As reformas políticas e econômicas de Dioclesiano foram revolucionárias. Rejeitando qualquer princípio de hereditariedade de sucessão, dividiu o mundo romano para fins administrativos em quatro regiões sobre as quais ele e Maximiano governaram como imperadores mais velhos, com dois subordinados, Constâncio Cloro e Galério, chamados Césares. Foram tomadas medidas para a abdicação dos Augustos após um período de vinte anos, quando os Césares deviam tomar os seus lugares de imperadores, com dois subordinados, como antes. Os pormenores territoriais não vêm aqui a próposito, bastando recordar que, enquanto Maximiano e Constâncio eram responsáveis pelo Império Ocidental, Dioclesiano e Galério governavam as províncias orientais. Considerando a natureza turbulenta da época, isto diz muito das qualidades de Dioclesiano, pois, até à ocasião da abdicação dos dois Augustos, todos quatro se conservaram nos territórios destinados sem abrirem rivalidades ou interferências. Também, a princípio, não existiu qualquer animosidade para com os cristãos, muitos dos quais ocupavam posição de confiança na casa do imperador.

A grande perseguição começou no ano de 19 do tempo-limite imposto pelo próprio Dioclesiano e, por estranho que pareça, as suas origens nunca foram devidamente esclarecidas. Lactâncio, no seu tratado vitriólico De Mortibus Persecutorum, dá pretextos que parecem absurdos, ao passo que Eusébio não é claro em tão importante episódio da história da Igreja. De acordo com Lactâncio, Dioclesiano exasperou-se contra os cristãos quando, em 297, foi consultar os augúrios acerca do progresso da campanha parta de Galério. Não obtendo resposta dos áugurios, e querendo saber a razão, disseram-lhes que alguns cristãos presentes tinham feito o sinal da cruz. É uma história incrível, um pretexto trivial para um grande ressentimento. E como o imperador não tomou quaisquer medidas contra a Igreja durante mais seis anos, talvez se suponha que a história fosse para se arrastar o nome de Galério, detestado por Lactâncio. Neste contexto, é notável o fato de Galério ser novamente apresentado como o gênio mau do velho imperador quando os decretos selvagens foram promulgados contra os cristãos após o início oficial da perseguição em Nicomedia, em 303. Houve também uma acusação contra os cristãos, a de terem lançado fogo ao palácio imperial, mas represálias em tão vasta escala são inconsistentes com o que, por outro lado, se conhece do caráter de Dioclesiano, de fontes menos oblíquas do que as de Lactâncio. Parece mais aceitável que a decisão de lançar a grande perseguição marcasse o auge de um período de ressentimento crescente (possivelmente fomentado por Galério) contra os cristãos, para o qual acontecimentos anteriores forneciam pretexto.

Dioclesiano foi o primeiro imperador de Roma a modelar o seu comportamento oficial segundo o dos governantes do Velho Oriente, a vestir-se de sede e ouro, a usar diadema de pérolas e até a exigir que se prostrassem ante a presença imperial. Tal como Domiciano e Aureliano, antes dele, adaptou o estilo de “Senhor e Deus” – domius et deus – no Ocidente, enquanto no Oriente lhe chamavam simplesmente “Rei”. Com ele começou o cesaro-papismo que mais tarde marou o governo dos imperadores cristãos de Bizâncio. Que Dioclesiano acreditasse ser um deus é muito improvável, embora pareça Ter tido a consciência de uma missão divina para salvaguardar Roma e o seu império. Tendo escapado à perseguição durante o governo de Aureliano, um imperador de pretensões semelhantes a Dioclesiano, os cristãos não precisavam de se sentir em perigo iminente, mas em 296 aconteceu algo que lançou uma longa e pressaga sombra.

Em dois anos sucessivos (268 e 269) Cláudio, o Gótico, tinha derrotado os invasores góticos e alemães. Vinte e cinco anos depois, embora não houvesse ameaça comparável, novos perigos assolaram as orlas do império. No Ocidente, a Grã-Bretanha havia sido dominada pelo usurpador Caráusio, enquanto nas fronteiras orientais surgiam outra vez os problemas com a Pérsia. O “César” de Maximiano, Constâncio Cloro, restaurou devidamente a posição na Grã-Bretanha mas, 296, Galério foi infeliz na campanha da Pérsia, e nesse ano Dioclesiano instituiu a sua primeira perseguição a uma religião organizada, os maniqueus, que combinavam a aceitação da doutrina persa do dualismo com crenças heréticas cristãs. Seguindo precedentes, o imperador dirigiu o seu ataque contra os chefes da seita, decretando que eles e os seus livros fossem queimados e que os subordinados fossem degolados ou enviados para as minas com a perda dos bens. A verdadeira causa da perseguição era o sentimento antipersa, fomentado pelos militares, embora Dioclesiano fosse influenciado pelo dever de campeão do paganismo oficial contra a atração insidiosa de uma nova religião, cujos adeptos, tal como os cristãos, eram acusados de todos os vícios. Talvez o paralelo cristão tenha ocorrido ao imperador, nessa altura, pois os cristãos, muito mais do que os maniqueus, representavam uma ameaça à ordem estabelecida. Ele deve Ter sabido, sem qualquer sugestão de Galério, que os cristãos eram inflexivelmente opostos à religião do Estado e que o seu Cristo desafiava a própria autoridade do imperador.

No ano seguinte, Galério saiu vitorioso e foi erigido um arco em Salonica a comemorar o seu triunfo sobre os Persas. Se se pode acreditar em Lactâncio, o incidente dos áugures aconteceu no mesmo ano, antes de o resultado ser decidido, e, se assim foi, a ira de Dioclesiano numa época tão angustiosa seria aceitável, embora não o bastante para o levar à perseguição.

Em 301, só dois anos antes do seu primeiro ataque à Igreja, Dioclesiano publicou o seu famoso decreto que tinha por fim manter os preços das mercadorias e dos serviços em todo o império. Havia já tentado uma reforma da moeda para ir contra a ameça de inflação crescente, dando um valor fixo às suas novas moedas de ouro, de prata e de cobre – mas sem sucesso. O decreto incluía castigos e até morte para os que excedessem os preços máximos prescritos, mas infelizmente parece Ter dado resultado só no Oriente. Tanto antes como a partir de Dioclesiano, a perseguição a bodes expiatórios distraiu a opinião pública, desviando-a do falhanço econômico. Dogmas políticos impopulares e crenças religiosas são a marca do bode expiatório, e os cristãos podiam com facilidade ser tomados como culpados em ambos os casos.

Qualquer que fosse a razão, ou razões, para o ato, no dia 23 de fevereiro, em 303, festa das Terminalia, a Igreja de Nicomedia foi arrasada. No dia seguinte, foi promulgado um decreto que exigia aos cristãos o regresso à religião dos seus antepassados, sob a pena de perda de direitos cívicos, se cidadãos, e regresso à escravidão dos que tinham sido libertados. Como tais medidas falhassem, o governo promulgou uma série de decretos, cada qual mais severo do que o anterior. Para enfraquecer a resistência dos leigos, foram presos os clérigos, primeiro, e logo em seguida obrigados a sacrificar ao imperador ou morrer. Sob esta pressão extrema, alguns apostataram. A retratação sob tortura era reconhecida como válida pelas autoridades, cujo principal interesse consistia em romper a fidelidade dos leigos. Finalmente, antes de um ano, saiu o notável Quarto Decreto, segundo o qual os cristãos deviam sacrificar ou morrer. Nessa altura, a perseguição espalhava-se por todo o império, e tanto Maximiano como Constâncio cloro dirigiam a política oficial.

Em 305, de acordo com as leis que tinham imposto a si próprios, Dioclesiano e Maximiano abdicaram solenemente, a favor de Galério e de Constâncio. Diocleciano, que estava doente, fê-lo com gosto. Maximiano, com relutância. Os dois novos Augustos escolheram como seus subordinados, ou Césares, Maximino Dácio e Valério Severo, para o serviço no Oriente e no Ocidente, respectivamente. Dioclesiano tinha assegurado vinte anos de governo estável, especialmente pela força da sua personalidade, e, com a sua abdicação, o mundo romano voltou ao caos.

Somente em 313 os imperadores lançaram novas instruções respeitantes aos tratamentos dos cristãos, geralmente conhecidas como o Edito de Milão. Nos novos regulamentos, os cristãos gozavam de direitos legais sob garantia dos imperadores, e a propriedade confiscada era-lhes totalmente restituída.

Baseado nos trabalhos de Michael Gough

Igreja

Cardeal Paulo Evaristo Arns escreveu a seguinte introdução em um dos seus livros:

“Quando São Pedro terminou o primeiro sermão, os ouvintes perguntaram a ele e aos demais apóstolos: Irmãos, que devemos fazer ?

A resposta de Pedro foi esta: “Convertei-vos e seja cada um de vós batizado, em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos pecados. Recebereis então o Dom do Espírito Santo”.

Cerca de três mil pessoas aceitaram o conselho.

A partir desta data, eles se mostraram assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações.

Os fiéis, unidos entre si, tinham tudo em comum.

Isto aconteceu em Jerusalém, depois da morte, ressureição e ascensão de Jesus, no dia de Pentecostes.

Mais ou menos 19 séculos depois, na periferia de uma de nossas grandes cidades, um grupo de pessoas se reúne todas as semanas, para ler os Evangelhos, em que se encontram os ensinamentos dos Apóstolos, para praticar a solidariedade entre si, que é a comunhão fraterna, para celebrar a Eucaristia, chamada antigamente “fração do pão” e para rezarem juntos.

No fim de cada reunião, distribuem tarefas, como visitas a doentes, ajuda a favelados e a menores abandonados, e recolhem as encomendas para as compras em comum.

Se você perguntar a este grupo por que faz isto, responderá sem hesitar: “nós somos Igreja”.

Talvez nem todos saibam explicar o que é a Igreja. Mas têm dela, como lembra o Papa Paulo VI, “uma experiência conatural, mesmo antes de formar por si noção reflexa”.

Assim a Igreja não se apresenta como corpo estranho. Antes, realiza com os homens o que eles próprios, em seu íntimo, desejam fazer.”

A palavra “Igreja” originou-se do latim “Ecclesia”, que representa o termo hebraico “qahal” ou “qehal”, que significa o ato de reunir ou também o próprio grupo reunido.

A igreja era entendida pelos cristãos como uma comunidade reunid em algum lugar, como Igreja da Judéia, Igreja da Galiléia, etc…, que são parte da terra de Jesus.

Cardeal Paulo Evaristo Arns define que a Igreja Católica é a comunidade de fiéis batizados, que hoje se encontram no mundo todo.

Missão da Igreja

Resume-se em três as missões da Igreja, são estas:

  • Evangelizar: que é levar a Boa Nova a todos os homens, de qualquer país e de qualquer meio, para transformá-los, a partir de dentro, e assim tornar nova a própria humanidade.
  • Santificar: que é tornar o homem santo ou cristão, ou seja, levá-lo a assemelhar-se a Cristo.
  • Pastorear: é saber conduzir o homem ao seu fim último. No entanto, este precisa estar unido e organizado, estando sempre a serviço dos demais homens. Cito alguns dos grandes líderes, ou pastores do povo, antes da chegada de Cristo foram Abraão, Moisés e Davi.

A Hierarquia na Igreja

Quem mais bem apresentou os responsáveis da Igreja para que eu pudesse resumí-los para você caro leitor, mais uma vez foi o Cardeal Paulo Evaristo Arns.

  • Leigos são os fiéis incorporados em Cristo, constituídos no Povo de Deus, e a seu modo feitos participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo. Assim exercem sua parte na missão de todo o povo cristão, na igreja e no mundo. Entende-se por múnus a tarefa sagrada do leigo, consiste em ser sacerdote, profeta e rei, e por cristãos todos aqueles adeptos a Cristo logo após a sua morte.
  • Religiosos são todos os padres e ou pessoas que pertencem a uma congregação ou ordem religiosa de maior ou menor tradição, podendo ser de ambos os sexos. Parte deles se dedicam exclusivamente à oração.
  • Padres têm a missão de abrir novos horizontes para o elã da Igreja e manter a fé entre os fiéis e de renová-la, nas novas condições em que estes se encontram.
  • Bispo é um padre que cumpriu, por quinze ou vinte anos, sua missão com amor e certo êxito; quando, além disso, passou pela experiência de Coordenador da Postoral na Diocese; quando possui alguma especialização ou talento especial; quando, afinal, é apreciado por seus colegas, pelo Bispo e muito aceito pelos leigos; pode acontecer que, um dia, seja chamado pelo Núncio Apostólico, representante do Papa no País, e receba dele a proposta de ser Bispo de uma determinada Igreja.
  • Papa tem a responsabilidade última na Igreja Católica. O Anuário Pontifício, que representa o elenco das pessoas e instituições de maior vulto na Igreja, abre suas páginas com o nome do atual Pontífice, indicando as atribuições e títulos seguintes: Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, Patriarca do Ocidente, Primaz da Itália, Arcebispo e Metropolita da Província Romana, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, e Servo dos servos de Deus.

Baseado nos trabanos do Cardeal Paulo Evaristo Arns

A História da Igreja

Transcrito com autorização do Padre

José Oscar Beozzo do Livro

O Que é Igreja de Paulo Evaristo Arns

A História da Igreja não pode ser simples relato dos fatos que aconteceram na Igreja e muito menos a biografia de Bispos ou Papas.

Cada época deve recolher o que lhe inspira o período precedente e comparar os dados com o que Cristo propôs no seu Evangelho. Com esta dupla síntese, a Igreja enfrenta sempre novos períodos. Portanto, a História da Igreja, além de conservar a memória dos homens cristãos e de seus feitos, é fonte de atividade e vida, incentivo e interpretação, para enfrentar desafios novos.

Para facilitar a compreensão da História, nós a dividiremos em quatro períodos, cada um com características bem marcantes:

Dos Séculos I a VII

Foi a fase decisiva para a organização e o fortalecimento da Igreja. Naquele tempo, a cultura helenística ou grega dominava o Oriente próximo, como, por exemplo, Israel, Egito e Síria de hoje.

No tempo apostólico, que compreende duas primeiras gerações de cristãos, os doze Apóstolos, junto com São Paulo, enchem o cenário. Já falamos de seus escritos e estes testemunham suas vidas.

Mesmo os escritos chamados apócritos – não autênticos – também se referem a Jesus e seus primeiros discípulos.

Sem dúvida, um período denso de heroísmo e também de perseguições constantes.

Os livros que descrevem a Igreja neste tempo falam sobretudo da doutrina, culto, constituição e disciplina.

Nos primórdios percebemos neles a influência da Igreja-mãe de Jerusalém e do próprio Judaísmo.

Os estudos modernos insistem nos contatos com os essênios, uma espécie de ordem religiosa, que procura manter a força tradicional do judaísmo. Por causa do seu rigor, os essênios podem ter atraído São João Batista e influenciado os demais discípulos, para o que hoje se chama de judeu-cristianismo. Este, no entanto, é bem mais amplo, uma espécie de espírito de espírito a dominar a época da transição do judaísmo ao cristianismo.

Merecem especial destaque, nesta época, três livros: a Didaqué, ou Doutrina dos Apóstolos, pequeno manual de pastoral; as sete Cartas de Santo Inácio de Antioquia, testemunhos da Igreja organizada e sustentada na hierarquia; e a Epístola de São Clemente de Roma, sintetizando valores judaicos e helênicos para os novos tempos.

Os dois últimos escritos também são evocados para provar o primado do Bispo de Roma e a organização completa da Igreja.

Desde o começo, existem cristãos que se separam. Serão chamados, no futuro, de heréticos ou cismáticos, ou porque negam alguma doutrina, ou porque não aceitam a grande Igreja.

Charles Péguy, autor moderno da França, muito interessado na evolução da História, afirmou, uma vez: “Tudo se inicia como mística e termina em política”. Divisão, causando feridas e provocando escândalos.

Os desvilos do II século brotarão de corrente mística chamada gnosticismo. Doutrinas antigas e novas, que se misturam com revelações e exaltações pessoais. A Igreja prefere o caminho da sobriedade, mantendo porém alguns valores surgidos nas profundezas do tempo.

Aparece neste II século a lista oficial dos Livros da Sagrada Escritura, que recebem o nome de cânon, porque serão norma de fé.

Para provar sua autenticidade como Igreja de Cristo, volta-se ela para a Tradição Apostólica e até para a sucessão dos Apóstolos.

Neste ponto, têm valor inestimável os escritos de Santo Irineu de Lião e São Justino e os autores chamados Apologetas, que se esforçam por provar que a Igreja não é estranha à História e à evolução da cultura filosófica.

Já na metade do II século, os Bispos se reúnem em assembléias maiores, chamadas Sínodos, para enfrentarem os movimentos doutrinários estranhos e as tentativas separatistas.

Quanto mais alastrada a falsa doutrina, mais amplo o Sínodo.

Só no IV século, teremos o primeiro Sínodo Universal, chamado Concílio Ecumênico de Nicéia (325).

Mas, antes dele, aparecem grantes escritores no Oriente. Entre eles, Clemente de Alexandria, que tenta a síntese entre a cultura grega e o cristianismo, elaborando uma pedagogia humana e cristã. Entre todos, destaca-se Orígenes. Apesar de alguns erros, um dos maiores gênios cristãos de todos os tempos. Dono da mais vasta cultura que se possa imaginar, estabelece as regras de conservação e interpretação da Bíblia e lança os fundamentos da reflexão cristã para os próximos séculos.

Os escritores latinos de maior fôlego, como Tertuliano e Cipriano, foram mais práticos e se ocuparam das virtudes cristãs, das escrituras eclesiásticas e de educação cristão.

Realizou-se, pela Igreja, o que Cristo havia prometido: o fermento acabou por penetrar em toda a massa imensa do Império Romano e aí estabeleceu os germes fortes da civilização do amor.

Não foi, porém, aceito sem contestação. “Como me perseguiram a mim, também a vós hão de perseguir”. Isso valeu para os Apóstolos, mas também para as novas gerações de cristãos. Os mártires, que regaram com o sangue quase todas as áreas do domínio absoluto dos romanos, foram sementes de novos cristãos.

A palavra mártir tem o seu equivalente no termo testemunha, do português. Esse testemunho foi recolhido em escritos e em tradições orais, para reanimar as novas gerações.

Os motivos das perseguições foram os mesmos que levam Cristo à cruz. Os cristãos eram chamados de subversivos. De fato, não queriam outra coisa, senão levar a mensagem e o amor à Pessoa de Cristo até o coração das pessoas e da sociedade.

Servirão de exemplo e estímulo para gerações futuras.

Em meio às perseguições mais cruentas, já nasciam os sucessores dos mártires, os monges.

Para preservarem a autenticidade de seu testemunho, homens e mulheres se separavam dos demais e levavam vida austera, em meio à oração e aos trabalhos manuais de sustentação. Protesto radical contra o consumismo do tempo, é verdade, mas também luta perseverante em favor da vida radicalmente evangélica.

Uns monges viviam inteiramente isolados da humanidade. Os anacoretas. Em torno de diversos deles formaram-se lendas. Suas lutas contra o comodismo e as forças do mal atraíram imitadores e povo. Santo Antão, São Paulo, chegaram a ser símbolos de um tempo.

Outros formaram comunidades de orantes e penitentes. Os cenobitas.

Com a vinda de jovens doutos e sábios, prepara o cenobitismo verdadeiras escolas de espiritualidade e inicia a tradição teológica dos mosteiros. No seu apogeu, foi a melhor Escola de Bispos e Pastores da época. Também de mestres da nova organização social cristã.

Basta lembrar nomes como os de Pacômio, Basílio e Gregório Nazianzeno e João Crisóstomo.

No ocidente, melhor na Itália, São Bento será o Mestre consumado e Pai do monaquismo que chegou até nós.

Quando aparecer o primeiro imperador que reconhece na prática a força dos cristãos, Constantino Magno, os cristãos enriquecidos de mártires, teólogos, ascetas e grandes pastores constituirão os 10% da população mais ativa do mundo então conhecido.

Também em época posterior haverá perseguições sangrentas e outras, mais políticas e sutis.

Os séculos IV e V ficaram marcados para sempre, na História da Igreja, por escritores de primeira plana, tanto no Oriente como no Ocidente. Verdadeira literatura cristã, fonte de pesquisas em todos os séculos, modelos de renovação de vida e verdade. São os assim chamados Padres da Igreja.

Aqui deixamos apenas consiganos os nomes dos gênios, como de Agostinho e Jerônimo no Ocidente. Ocidente, porque escreveram em latim, vivendo um na África do Norte e o outro parte na Itália, parte na Palestina. Abarcaram e dominaram praticamente todos os assuntos que explodiriam nos séculos futuros, como desafio ao gênio cristão.

Os escritores cristãos de língua grega foram ainda mais profundos, porque provinham de uma cultura que domina o pensamento humano até os dias de hoje. Além disso, eram místicos e filósofos. Alguns deles também extremamente práticos quando abordavam os problemas de estruturas injustas e da repartição desigual dos bens necessários aos homens.

Se nos pedirem alguns nomes, citaremos São Basílio Magno e seu amigo São Gregório Nazianzeno. Também lembramos Gregório de Nissa e sobretudo São João Crisóstomo. Mas não se pode esquecer Cirilo de Alexandria e Santo Atanásio, anterior a ele.

Os fatos que mais influenciaram a história daquele tempo e do nosso são os sete primeiros Concílios Ecumênicos. Embora reunissem normalmente só os Pastores da Igreja, foram influenciados e por sua vez influenciariam a vida civil e religiosa. Apaixonavam o povo mais simples, não só porque as figuras dos bispos eram muito populares. Mas igualmente porque os assuntos envolviam o cerne mesmo e o coração da Igreja: a divindade de Cristo, a Trindade Santa, Maria, Mãe de Deus, a autoridade na Igreja e outros.

No mesmo período deu-se também a maior revolução da história da antiguidade, chamada Invasão dos Bárbaros: o encontro dos povos de cultura primitiva, os germanos, com o império greco-romando de pensamento e costumes mais sofisticados.

Na hora em que o cristianismo parecia submergir, renasceu das cinzas.

Nesta época também surgiu o movimento missionário renovador, a partir da intuição e da fibra do Papa Gregório Magno e dos monges da Irlanda. Anuncia-se, desta forma, o período cristão medieval, que desloca o centro de interesse de Roma para a Europa Central.

Também as estruturas da Igreja se confirmam, não só pela legislação, mas igualmente pelo gênio dos Papas, como Leão e Gregório Magno, por exemplo.

A Igreja, naquele tempo, sofreu igualmente a maior de suas tentações: a de navegar nas águas do poder civil. De adaptar-se aos costumes e às veleidades das cortes. De confiar mais no poder do que na sua autoridade interna.

No fim deste período, afinal, inicia-se um movimento de divisão na História, que se projetará sobre os próximos milênios. Maomé, que criou vigorosa corrente religiosa, com grandes valores éticos e sociais, baseando-se em parte na Bíblia, mas sobretudo em suas revelações. Inicia a corrente histórica dos muçulmanos, que infelizmente separou a humanidade, tirando-lhe o germe precioso da unidade cristã.

Dos anos 700 a 1300

Desenvolveu o germe do período anterior. A era missionária, iniciaada na antiguidade e continuada no Columbano, Bonifácio e outros, trará modificações substanciais entre os povos anglosaxões.

Estes dominarão a história, por séculos.

A aliança da dinastia dos Pepinos com o Papado, sobretudo a coroação de Carlos Magno (ano 800), ocasionou uma espécie de comunidade ocidental. União dos germanos com o cristianismo. Nova face da igreja. Também simbioso entre Império e Estado. Chegam a desaparecer as fronteiras entre ambos. Mas origina-se também, daí, a luta entre o Império e o Sacerdócio.

Qual seria a relação entre os dois poderes: o civil e o religioso ?

Esta questão deixará marcas para muitos séculos. Até para o nosso.

No Oriente conhecido, também se tenta o encontro entre a cultura bizantina e a islâmica. Surge até nova aurora para a filosofia e a teologia. Esta acabará por definir-se dentro de uma corrente que chamamos hoje de Escolástica. Lá pelos anos de 1200 apareceram de fato as Escolas Teológicas, começando pela primeira universidade, que é a de Paris. Outras foram surgindo, em cidades então muito ativas, como Bolonha, Pádua, Oxford, Cambridge e Salamanca. Mais ao norte, já no século XIV, virão as escolas de Praga, Viena, Heidelberg e Colônia. Foi um florescimento de cultura religiosa nunca visto. Elaboração de gênios, como Alexandre Magno, Alexandre de Hales, Santo Tomás, Duns Escoto, São Boaventura e outros, de primeira grandeza.

No entanto, não existe período de profunda e ampla cultura, sem notas dissonantes e contestadoras. As heresias dos cátaros e valdenses provocaram emoções, concentrações e divisões entre os cristãos.

O Papado teve momentos de grandeza. Também de humilhações como em todos os períodos da História.

A Igreja viu-se reformada de dentro para fora. Com os movimentos de Beneditinos, a partir de Cluny e de outras famílias religiosas, que trouxeram de volta a austeridade e a sabedoria dos antigos monges.

Nenhuma renovação, no entanto, teve a força de um São Francisco e São Domingos, que atingiram a igreja toda. Baseados no Evangelho e levando à prática a mensagem da encarnação, morte e ressureição de Cristo, tocaram a fibra do povo e lhe deram a marca da autenticidade cristã. Ninguém fugia a seus apelos, nem pastores da igreja, nem princípes do mundo. A partir deles, os religiosos se sentem indefectivelmente ligados ao povo e à história.

Dois fatos marcarão o futuro da igreja: o primeiro é o Cisma, ou seja, a separação do Oriente, consumada em 1054. O outro é o das Cruzadas, sobretudo a quarta, que queria estabelecer o Império latino em Constantinopla.

A separação do Oriente tem o seu germe em rivalidades bem antigas, desdobra-se depois numa luta para conservar as imagens ou para destruí-las e chega ao auge nas discussões doutrinárias sobre a Santíssima Trindade e a questão do primado do Papa.

As cruzadas, que queriam resgatar a Terra Santa de Jesus, acabaram por exaurir as forças do Ocidente e a estabelecer muros quase intransponíveis entre os dois mundos de então.

Um período de grandezas e de fracassos em todos os planos.

De 1300 a 1750

Pode ser caracterizado pela dissolução do mundo cristão e ocidental. Pode, igualmente, ser considerado o tempo da igreja sem fronteiras.

As rivalidades e as contradições internas provaram que o Império e o Papado não serão, para o futuro, solução única para a ordem no mundo.

A Europa, de fato, perderá a unidade. O Papado será despojado de seu poderio unificador.

Bonifácio VIII (Papa de 1294 a 1303) ainda chega a afirmar a primazia sobre o Estado nacional da França. Mas será preso por Felipe, o Belo.

Segue o tempo dos exílios dos Papas, em Avignon, na França (1309 a 1378): período confuso e desnorteante para os fiéis. Declínio último do poder temporal dos Papas.

Infelizmente, hora trágica, do grande cisma do Ocidente. Por iniciativa sobretudo de Lutero, Calvinio e Zwinglio, a comunidade cristã se divide, para prejuízo de todos. Séculos e séculos sofrerão dolorosamente pela separação de grandes famílias.

Começam a aparecer agoras os Estados, como os da França, Inglaterra e Espanha. Também os principados católicos e protestantes na Alemanha.

Para os sociólogos e economistas, surge o que eles chamam de capitalismo precursor, ou seja, a economia baseada no valor do dinheiro.

Os historiadores, por sua vez, acentuam que o Humanismo entrou no lugar da Teologia. O homem, libertado de Deus, procura sua expressão a partir das concepções antigas, anteriores ao cristianismo.

E os cristãos ? O povo simples ? Não sabem nem mais quem é o verdadeiro Papa da sua Igreja. Nesta hora, alguns líderes cristãos quiseram até pôr os Concílios acima do Papa, e já não mais unidos a ele. Chegara a hora de uma reforma “na cabeça e nos membros”, como se dizia no século XV. O pior é que tudo isso deveria realizar-se entre ataques de protestantes e católicos e entre guerras religiosas dos séculos XVI e XVII.

A Igreja Católica custou a encontrar o caminho da renovação. Mas o encontrou, pelos santos, pela fidelidade dos simples, e em parte pelo Concílio de Trento (1545 e 1563). O mérito principal precisa ser atribuído aos santos e às novas ordens religiosas, como a dos jesuítas e dos Capuchinhos.

Tudo rejuvenesceu, desde o gosto pela piedade, arte e teologia, até à concepção cristã da vida e das missões. Aí estão os místicos, como Santa Tereza de Ávila, São Pedro de Alcântara e São João da Cruz. Escolas de piedade, como a escola francesa.

Toda esta renovação também provocou onda atieclesial e anticlerical.

A Igreja, nesta época, pelo seu fervor e generosidade, podia ter se estendido até a Índia e a China. Os jesuítas, por exemplo, aí criaram condições bem promissoras. Faltou-lhes, porém, o apoio. Nos centros de decisão, falhou a visão histórica, a generosidade e a abertura rara com os costumes e a História tão rica desses povos.

A América Latina e o Brasil entraram na história sem poder assumí-la pelos seus próprios povos e pelas suas virtualidades novas. Sentiram-se mais pelas suas virtualidades novas. Sentiram-se mais como apêndice, ou como colônia. Sem feição própria e sem perspectiva de autonomia. Mesmo assim, houve grandes rasgos de generosidade entre missionários e leigos, com tentativas de criar novo tipo de civilização.

Dos Séculos XVIII a XX – Igreja Universal e era industrial

Contentamo-nos aqui em indicar apenas os pontos que vão deixar a marca mais profunda em nosso tempo.

A Revolução Francesa (1789) é o marco divisor. Preparada pela época anterior, levou a humanidade a uma espécie de estaca zero.

Começam as diversas correntes de construção, mas também de divisão da humanidade. Diríamos até de exploração do povo simples, pelo liberalismo, socialismo, marxismo e comunismo. Provocam eles novo tipo de crença no progresso. Sem Deus e sem a Igreja.

As massas populares sentem-se abandonadas e deixam a Igreja. No entanto, também se organizam as forças do interior dela, para encontrarem nova firmeza e nova expressão.

Os tradicionalistas, nesta hora, dão muito trabalho, sobretudo os integristas.

E os intelectuais ? Em lugar da Teologia, é a Filosofia e a Literatura que dominam o ambiente. As duas hão de demorar a encontrar-se, é verdade.

Nesta época, o Papado é a grande luz da Igreja e da História. Desde Leão XIII (fim do século XIX) até João Paulo II (fim do século XX), podemos dizer que eles não são apenas a alma da Igreja, mas do mundo.

Ao perderem o domínio temporal, ou seja, os territórios pontifícios, pareciam prisioneiros do Vaticano. E foi então que o mundo lhes reconheceu a autoridade moral.

Surgiram nesses dois séculos inúmeras organizações católicas, desde as Congregações religiosas até os movimentos leigos e a Ação Católica.

Os dois Concílios, Vaticano I e Vaticano II, devem ser considerados como unidade.

O Concílio Vaticano I definiu a infalibilidade e o Primado do Papa, e o II ampliou o conceito do Colégio dos Bispos unido ao Papa, trazendo ainda à tona a grande mensagem da Igreja para os tempos novos.

No Brasil, a Igreja vinculada ao Estado se desligou muito do povo. A maçonaria e as correntes liberais acenderam a questão religiosa e diminui-se a ação das Ordens e Congregações.

Ao mesmo tempo, fortaleceram-se as Confrarias de leigos e a religiosidade popular.

A história preparava o caldo para uma Igreja nova, portadora de esperanças. Estas esperenças surgiram, como sempre, da cruz.

Na hora em que separaram a Igreja do Estado, lhe deram as condições de ter consciëncia de si mesma e de cumprir a sua missão junto ao povo e pelo povo.

Os missionários, vindos de todos os países da Europa ao Brasil, como à América Latina, tiveram em geral compreensão para tanto.

Também os grandes pastores, bispos e padres, conservaram a fidelidade à Igreja Universal e preparam as possibilidades da encarnação no mundo novo.

Se as tragédias do genocídio dos índios e de todas as formas de colonianismo e arbitrariedades não se apagam de nossa História, é dentro delas que se forja este povo que hoje procura soluções originais à base do Evangelho e do gênio brasileiro.

As reuniões de Medellin (1968), Puebla (1979), como também a dos bispos de nosso país, abrem perspectivas de participação e comunhão nunca vistos em épocas anteriores.

Também para o Brasil, a História da Igreja deve ser co caminho da libertação e salvação do povo.

História da Igreja no Brasil

Propomos como critério para traçar um quadro sucinto do percurso histórico da Igreja no Brasil, o ângulo da missão, isto é, a relação da Igreja com os grupos a serem evangelizados, principalmente indígenas e escravos negros, mas também com os outros grupos e classes sociais e com a sociedade global.O segundo ângulo a ser privilegiado é a relação global da Igreja com o poder político, o Estado e com o poder religioso, a Santa Sé.

A periodização é traçada em quatro momentos:

  1. 1o. ) 1500 – 1871;
  2. 2o. ) 1871 – 1930;
  3. 3o. ) 1930 – 1964;
  4. 4o.) 1964 – 1980.

Primeiro período: 1500 – 1871 – Catolicismo luso-brasileiro no quadro de uma sociedade colonial e escravista, isto é, produzindo fundamentalmente para uma metrópole e segundo seus interesses e baseando-se na exploração do trabalho sob o regime jurídico e social da escravidão. Este regime é virtualmente extinto pela abolição do tráfico negreiro em 1850 e pela Lei do Ventre Livre em 1871.

O período inicial de escambo com os índios (1500-30), miçangas e objetos de ferro contra pau-brasil não assistiu à implantação da catequese, mas à presen;a esporádica de capelães das frotas que aqui tocavam no caminho das Índias.

A partir de 1531, com as capitanias hereditárias instala-se a empresa colonial, que avança sobre as terras indígenas. Alternam-se guerras com massacres e propostas de paz e integração dos índios na economia colonial como mão-de-obra escrava ou semi-servil. A catequese desempenha papel fundamental para a integração do índio na empresa colonial portuguesa, oscilando entre esta tarefa e a luta pela liberdade do índio.

A obra missionária segue pari passu os desdobramentos da penetração da empresa colonial, formando ciclos missionários. Hoornaert distingue quatro quandres ciclos:

a) 1531-1654, o litorâneo, que “acompanhou a conquista e ocupação do litoral brasileiro, não somente da ‘costa do pau-brasil’, mas sobretudo da zona da mata, dedicada ao cultivo do açúcar, do Rio Grande do Norte até a região de São Vicente no sul”. Este ciclo é fundamental no primeiro século em meio, entrando em decadência com a expulsão dos holandeses em 1654. Nóbrega e Anchieta são as figuras-chave deste ciclo;

b) o sertanejo: “é condicionado pela ocupação do vasto interior brasileiro (sertão), que foi efetuada através dos rios, sobretudo do famoso São Francisco”. O gado torna-se a atividade econômica básica. Aqui se notabiliza o capuchinho bretão Martinho de Nantes, defensor das terras indígenas e expulso pelos grandes criadores de gado;

c) o maranhense: economia das drogas do sertão – 1615-1759 – tem ínicio com a expulsão dos franceses em São Luiz do Maranhão em 1615 e estende-se até a expulsão dos jesuítas e demais missionários da Amazônia em 1759. O Estado do Maranhão, abrangendo, no ínicio, do Ceará até o alto Solimões, conhecerá enorme florescimento missionário onde brilham os nomes de Vieira, Figueira, Bettendorff enre os jesuítas. Importante ainda é a contribuição dos franciscanos de Santo Antonio e da Piedae, dos Mercedários, na desembocadura e na margem norte do rio Amazonas e dos seus alfuentes e as missões carmelitas do Rio Negro e dos Solimões. Na Amazônia, onde foi escassa a penetração do escravo negro, se excetuarmos as plantações de algodão do Maranhão e centros como Belém, a missão esteve ligada à questão dos descimentos e repartição da mão-de-obra indígena para os colonos e serviços públicos e à luta para que cessasse o uso e exploração da mão-de-obra indígena, ficando as aldeias sob a administração dos missionários no espiritual e no temporal;

d) mineiro: sem a presença de ordens religiosas. Ciclo tipicamente leigo e popular com enorme força das irmandades e irradiação espiritual de ermitães.

A estes ciclos é necessário acrescentar um outro, o paulista, que se irradia da fundação do colégio jesuíta de São Paulo (1554), num colar de aldeamentos indígenas e depois de vilas de mamelucos pelo interior. Ciclo perverso, pois nasce de um projeto da catequese na liberdade, longe do litoral açucareiro e escravizador de índios. Torna-se porém, mais tarde, centro de captura de índios através das célebres entradas dos bandeirantes paulistas, para serem vendidos como mão-de-obra escrava.

No outro eixo da sociedade colonial estão os negros que se tornam a maioria absoluta da população, primeiro nos engenhos do litoral e depois a partir do século XVIII nas minas de ouro e diamante de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Para eles não arma a Igreja nenhum projeto missionário. Contenta-se em batizá-los, depois de escassa ou praticamente nenhuma catequese, deixada em mãos de próprio senhor de escravos. Os escravos abundam nas fazendas, engenhos e propriedades das ordens religiosas. Nenhuma grande luta, semelhante à da liberdade dos índios, empreende a Igreja em favor do escravo negro. Na área de mineração florescem suas irmandades sob a inovação da N. Senhora do Rosário dos Pretos, São Benedito, Santo Antonio de Catagerona e Santa Ifigênia. As Constituições primeiras do Arcebispado da Bahia, de 1707, adaptam a legislação eclesiástica a esta sociedade colonial e escravocrata.

A independência não altera a estrutura escravocrata da sociedade e, em termos de Igreja, situa-se num longo ciclo de decadência das origens religiosas, que se inicia na segunda metade do século XVIII, agravado pela expulsão dos jesuítas e pela política pombalina que forçou a separação de todas as ordens da obediência a superiores religiosos fora de Portugal. O clero faz-se presente em todas jornadas revolucionárias que levam à independência e nacionalista que leva a um longo atrito entre a Igreja do Brasil e de Roma, agravado na regência de Feijó. O regime da Igreja no Império continua sendo o do Padroado, isto é, da Igreja submetida à autoridade e iniciativa do Estado no que tange à nomeação de bispos e vigários, sustentação do clero e orientação de estudos dos seminários.

A partir de meados do século XIX, uma série de bispos, tendo à frente D. Viçoso (1844-1875) de Mariana, empreende a reforma do clero, afastando-o da política e da sociedade, para concentrá-lo na missão religiosa, compreendida como a esfera do espiritual e do sacramental. A espinha dorsal da atividade religiosa desloca-se das Ordens para o Episcopado e para o clero secular. Uma ordem, a dos capuchinhos, tem maior liberdade de movimentos e assume tanto o trabalho de missões populares como a catequese indígena a partir de 1843.

Em 1869-70 o Concílio Vaticano I aproxima os bispos brasileiros de Roma e leva rapidamente ao conflito com a emergente elite liberal e com o Estado, durante a questão religiosa (1872-1874).

Segundo período: 1871-1903 – a Igreja no período liberal.

Nasce um novo país, com a vinda de imigrantes estrangeiros, para as fazendas de café e para a colonização do sul, incluindo os de religião protestantes. O Brasil negro e mestiço passa a se europeizar e a branquear.

O catolicismo deixa de ser hegemônico no seio das elites que se tornam livre-pensadoras e positivistas. Na grande campanha pelo fim da escravatura, são os liberais e não a Igreja que se encontram na linha de frente. A Igreja mantém-se também alheia à fermentação republicana. No parlamento, na imprensa, na literatura a religião é atacada, abrindo-se intenso conflito entre a Igreja e a maçonaria, mais grave onde a penetração do capitalismo e do “progresso” é mais intensa: nos portos e capitais, nas regiöes de agricultura de exportação atingidas pelas estradas de ferro: café do Rio, Minas e São Paulo, borracha na Amazônia, cacau na Bahia, algodão no nordeste.

A Igreja cada vez mais ultramontana choca-se também com o Estado cioso de suas prerrogativas em relação à Igreja. A tensão culmina com a separação entre a Igreja e o Estado (1890). O vazio, ocupado inicialmente pela articulação do Episcopado que se reúne por duas vezes neste ano de 1890 (março e agosto), traçando um plano de reforma da Igreja no Brasil, com a morte de D. Macedo Costa (1891), é preenchido por Roma. Esta assume a condução da reforma da Igreja no Brasil e a velha Constituição Primeira do Arcebispado da Bahia é substituída pelas normas do Concílio Plenário Latino-americano reunido por Leão XIII em 1899 em Roma.

Dezenas de congregações européias, em particular italianas, francesas, holandesas e alemãs chegam ao Brasil no início da República, seja para se implantar pela primeira vez, seja para “restaurar” as desfalecidas ou extintas ordens religiosas: beneditinos, franciscanos, carmelitas. É novidade a chegada de uma centena de congregações religiosas femininas voltadas para o campo assistencial (hospitais, asilos e orfanatos) e sobretudo para a educação, no regime de colégios, com internato.

Essa europeização e romanização por que passa a Igreja brasileira busca seu ponto de equilíbrio com a realidade nacional, na Pastoral Coletiva de 1915. Em 1916, D. Sebastião Leme, ao ser nomeado bispo de Olinda, alerta em sua Pastoral sobre a perigosa ausência da Igreja na vida da sociedade brasileira: vida cultural, social e política.

A perda das elitas culturais e sociais do país havia sido acompanhada também de um “estranhamento” da Igreja em relação ao catolicismo tradicional vivido no interior do país e nas camadas populares. O novo catolicismo romanizado encontra seu habitat natural na área de imigração em regime de pequena propriedade no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Daí sairão as vocações para a maior parte das congregações européias que ingressam no país e para o clero secular. No mais era um catolicismo de classe média e restrito às cidades que emergiam da transformação capitalista. A Igreja monta toda uma estratégia repressiva em relação ao catolicismo mais popular e de estilo luso-brasileiro, incrustado nas áreas de economia de subsistência ou de refluxo da economia açucareira ou de mineração, nas irmandades, nas capelas rurais, nos santuários, nas festas e devoções populares.

Há resistência popular a esta mudança religiosa como em Canudos, no Juazeiro do Padre Cícero, no Contestado, que representam formas de reações tanto à penetração da nova ordem capitalista no campo como à pregação e à prática do catolicismo romanizado. Há ainda a resistência no quotidiano, no apego popular às suas festas e santos, às suas rezas e devoções. Os santos tradicionais enfrentam a concorrência dos novos santos trazidos pelas congregações européias e as antigas irmandades são substituídas por associações religiosas cuja principal preocupação é a santificação de seus membros, através de uma prática sacramental mais amiudada da confissão e comunhão. A devoção ao Cristo desloca-se dos Cristos da Paixão, os Bom-Jesus das Igrejas e santuários coloniais para a do Sagrado Coração de Jesus, propagada e sustentada pelo Apostolado da Oração. As nossas Senhoras tradicionais, as da Conceição, as da Penha e do Rosário cedem lugar à Virgem de Lourdes e a outras virgens de aparições: Salete, Fátima.

Na emergente classe operária a condução ideológica fica em mãos dos anarquistas e de socialistas de vários matizes, embora não deixe a Igreja de organizar socorro material e espiritual às famílias operárias nos bairros industriais.

Os caminhos de rearticulação entre a nova Igreja e a sociedade brasileira passam pela conversão de intelectuais do Rio de Janeiro, com Jakson de Figueiredo à frente e aglutinam-se em torno do Centro D. Vital e da revista Ordem. Trata-se de uma rearticulação autoritária e reacionária que busca reatar com a sociedade e com a república que afastara a Igreja das estruturas do Estado que se proclamou leigo e sob muitos aspectos anticlerical.

Terceiro período: 1930-1964 – Igreja na fase populista.

A revolução de 1930 representa o fim do monopólio do poder em mãos da oligarquia do café. Outras frações de classe da própria oligarquia rural de outros estados, da nascente burguesia industrial, segmentos da classe média urbana, da burocracia do Estado e das Forças Armadas partilham o poder. A Igreja, até então excluída da ordem republicana, reivindica um lugar no ordenamento jurídico institucional do país.

Com a Constituição de 1934 firma-se um novo pacto de colaboração entre a Igreja e o Estado, enquanto as “reivindicações católicas” — ensino religioso facultativo nas escolas públicas, assistência religiosa às Forças Armadas, legislação familiar pautada pelos princípios da Igreja, nome de Deus na Constituição, liberdade sindical — são todas atendidas.

A ferramenta de ação política da Igreja não é um partido católico, mas a Liga Eleitoral Católica (LEC), poderoso instrumento de pressão que recomendava aos eleitores os candidatos de qualquer partido, desde que se comprometessem com a defesa das “reivindicações” católicas.

No campo social religioso a Igreja apoia-se numa estratégia de ampla mobilização do laicato através da Ação Católica, primeiro no estilo italiano (1935) e no pós-guerra (1950) através do modelo francês, com a JAC, JEC, JOC, JUC, JIC para a juventude agrária, estudantil, universitária, operária e independente, com os respectivos ramos para os adultos.

No meio operário, os Círculos Operários Católicos se mulplicam, sobretudo, no período do Estado Novo (1937 – 1945), quando o Estado aposta nas lideranças católicas para diminuir a influência de esquerda no operariado. Mas a incidência na colaboração entre os patrões e operários, o apoio ao modelo corporativista, a prática paternalista e assistencialista dos Círculos, seu caráter confessional e de sindicato paralelo, fez com que sua influência declinasse, após 1945.

A estratégia de colégios católicos em contra-posição ao ensino leigo do Estado (até 1930) e aos colégios protestantes ampliou-se para o ensino superior com a fundação da primeira universidade católica no Rio de Janeiro em 1942, seguida de perto em 1946 pela de São Paulo e a de outros estados.

Na década de 1950, o Episcopado sobretudo nordestino compromete a Igreja no campo social, colaborando intensamente com o Governo na implantação de socorros contra seca e planos de desenvolvimento para a área, consubstanciados na criação da SUDENE.

Aumenta em todo o país o clima de concorrência religiosa nas franjas das cidades que crescem no esteio da industrialização ou simplesmente no êxodo rural: o espiritismo, o protestantismo pentecostal, os cultos afro-brasileiros disputam, com sucesso, ao catolicismo, a direção religiosa das camadas populares.

Na década de 60 a mobilização dos trabalhadores rurais no campo, através das ligas camponesas, disputa à Igreja um lugar social onde sempre foi hegemônica. Esta ameaça leva-a a comprometer-se em amplo programa de educação de base através do rádio (movimento de Educação de Base — MEB) e na formação de sindicatos rurais, com respaldo do Governo Federal, que aposta na mobilização controlada das camadas populares para o seu projeto político de reformas de base e de controle da penetração do capital industrial e financeiro internacional.

Ainda no campo da educação a Igreja mobiliza-se para a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961) no seu substitutivo Lacerda, favorável ao ensino popular.

No campo ideológico, após o sucesso da revolução cubana em 1959, pequenos setores da Igreja, no seio do movimento universitário, definem-se pelo socialismo, provocando prolongada crise da JUC com a hierarquia. As encíclicas de João XXIII repercutem intensamente no país.

As relações entre Governo e Santa Sé são excelentes e a colaboração entre a Igreja e o Estado atinge níveis até então desconhecidos, tanto na Amazônia como no nordeste e em outras áreas do país. A criação da Conferência Nacional dos Bispos, em 1952, foi aos poucos dando maior entrosamento e consistência ao Episcopado, embora só em 1962 tenha a Igreja do Brasil adotado seu primeiro planejamento mais orgânico através do Plano de Emergência. Através da criação do Conselho Episcopal Latino-americano no Rio de Janeiro (1955) a Igreja do Brasil começa seu aprendizado da dimensão latino-americano.

O Concílio Vaticano II (1962-1965) acarretou mudanças profundas, tanto na doutrina como na organização e atitudes da Igreja Católica, marcando sua atualização em relação à chamada sociedade moderna, sobretudo das áreas desenvolvidas da Europa e da América do Norte e sua abertura para uma estrutura menos centralizada e mais colegial no governo da Igreja, com evidentes repercussões no Brasil.

Quarto período: 1964-1980 — Igreja popular e Estado de Segurança Nacional — Os fatos mais salientes são, no plano da Igreja, o final do Concílio Vaticano II (1965), com a aprovação da Constituição Gaudium et Spes (A Igreja no mundo de hoje), a encíclica de Paulo VI sobre o desenvolvimento dos povos e a distância crescente entre os países da abundância e os da miséria (Populorum Progressio – 1967); na América Latina, a II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Medellin (1968) e a III Conferência em Puebla (1979).

No plano político e econômico a mudança maior deu-se em 1964, com a subida dos militares ao poder, com a política de total abertura do país ao capital internacional, de rápida acumulação do capital, via compressão salarial, concentração da renda nas mãos de poucos, modernização tecnológica, silenciamento dos sindicatos e liquidação por vezes física da oposição, sobretudo após a instauração do Estado de arbítrio com o Ato Institucional no. 5.

Os conflitos iniciais da Igreja com o Estado por causa por prisão de militantes cristãos da Ação Católica, de colaboradores do MEB, agravaram-se depois de 1968, com a prisão e expulsão de inúmeros padres, processo contra bispos, instalação da tortura de modo generalizado, levando a Igreja a uma virtual ruptura com o regime.

Internamente, a Igreja passou por muitas crises, na aplicação dos decretos e conclusões do Concílio, recebidos com alívio e entusiamo pelas classes médias e intelectuais, com certa resistência popular às mudanças bruscas na liturgia, à supressão de devoções populares, retirada dos santos da Igreja e apresentação de um cristianismo secularizado.

A Ação Católica, esteio da ação da Igreja em todo o período anterior, foi praticamente extinta pela intervenção conjugada do Estado, de elementos conservadores dentro da Igreja, pela desagregação interna dos próprios movimentos e ainda pelo fim de uma teologia do laicato, visto apenas como extensão do apostolado da hierarquia. Com o Concílio entra em colapso uma determinada definição da Igreja e de sua relação com o mundo, que suportava a concepção da Ação Católica: a de estabelecer uma ponte entre a Igreja e o mundo e finalmente a de consagrar um mundo dessacralizado.

Conjungado uma nova teologia da Igreja e do laicato e ainda uma opção nascente pelos pobres e oprimidos , a Igreja do Brasil encontrou nas comunidades de base o caminho para uma Igreja que nasce do povo. Disto resultou uma intensa meditação dentro da Igreja sobre a religiosidade popular (até então tratada com desprezo e como sinal de ignorância religiosa) e um compromisso crescente com as lutas populares. No vasto campo dos direitos humanos, no início dos anos setenta, a tortura, os abusos contra a ordem jurídica ocuparam o centro das preocupações da Igreja. No final dos anos setenta, os mesmos direitos compreendidos como os direitos fundamentais da vida: direitos ligados à comida, à saúde, à educação e ao trabalho dos pobres e marginalizados, sobrepuseram-se à anterior visâo dos direitos humanos. A partir do fim do Concílio (1965), enquanto nas comunidades de base ensaia-se a prática de novos ministérios, intensa crise atinge a vida sacerdotal e religiosa com centenas de padres e freiras deixando o ministério, inconformados alguns com as mudanças introduzidas pelo Concílio e por Medellin, desencantados outros com a lentidão com que a renovação se processava, incapazes outros de se situarem na dinâmica tanto da Igreja como do mundo em que passaram a viver.

A CNBB, cuja secretaria geral fora ocupada por D. Helder Câmara, desde sua fundação em 1952, ressente-se com sua saída em 1964. Os anos do Concílio entretando aprofundaram, pela prolongada convivência, a consciência colegial do episcopado e a CNBB, secundada por seus assessores, torna-se responsável pelo esforço pós-conciliar de renovação da Igreja e de implementação de uma pastoral comum através das seis linhas de ação do Plano de Pastoral de Conjunto. A partir dos anos 70, o caráter anual das assembléias da CNBB, o maior dinamismo da presidência e da secretaria geral, fazem da CNBB e de suas orientações um fator fundamental na vida da Igreja e da sociedade no Brasil. Fator suplementar de unidade de objetivos foram as Campanhas da Fraternidade a partir de 1964. Os regionais da CNBB, em número de treze, ganharam maior autonomia, enraizando uma ação de Igreja mais adaptada aos problemas e cada região.

No Nordeste, a crítica da Igreja dirigiu-se às condições de miséria da população, agravada pela industrialização forçada e o descaso do campo, à concentração de renda e aos desequilíbrios regionais. No Centro-Oeste a crítica voltou-se mais à ocupação das terras por multinacionais e pelo empresário do sul, com expulsão de posseiros, exploração de peões e massacre de indígenas.

O CIMI (Conselho Indigenista Missionário, 1973) veio dar grande alento a esta luta pelo índio, pela sua cultura e sobretudo por sua terra, como pressuposto de sua sobrevivência. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) esetendeu a luta do CIMI pelas terras indígenas à luta por um pedaço de chão por parte de todos os deserdados da terra: camponeses e possieiros, bóias-frias, peões e favelados das cidades.

Em São Paulo, a ação da Igreja destacou-se pelo dinamismo de sua Comissão de Justiça e Paz, sua posição firme contra as torturas e em favor dos direitos humanos, a mobilização da periferia e sua ação em comum com intelectuais, imprensa, universidade e sindicatos para uma mudança do atual regime e a conquista da participação popular dentro de um Estado de pleno direito. A partir de 1977, a questão dos trabalhadores e seus direitos, nos conflitos e greves do ABC, encontraram uma Igreja aberta e solidária com a classe operária e com sua luta.

Alguns documentos da Igreja ficarão como marcos de resistência e de denúncias evangélicas: Ouvi os clamores do meu povo (1973) sobre a situação da população no Nordeste; o documento do Centro-Oeste (1973) com ênfase na questão da terra e do modelo econômico; A Igreja e Problemas da Terra (1980), uma lúcida e corajosa condenação do uso capitalista da terra e a reivindicação da terra como instrumento de trabalho e de subsistência e não apenas de lucro e especulação, entre outros.

Nos mesmos anos em que boa parte da Igreja empenhou-se por uma Pastoral Popular, pela atuação social e política da Igreja, não deixaram de crescer dentro da Igreja, sobretudo nos setores de classe média, movimentos e grupos voltados para um mais ou menos radical espiritualismo, com nítida recusa para com as repercussões sociais da vida religiosa, tais como grupos do Espírito Santo, da renovação carismática, de pascoalização e até certo ponto os TLC (Treinamento de Liderança Cristã para jovens) e os Cursilhos de Cristandade.

A visita de João Paulo II ao país em 1980 confirmou de um lado as opções da Igreja do Brasil, através de seu nítido apoio à atuação da CNBB e de seus discursos aos camponeses no Recife e aos trabalhadores em São Paulo. A presença do Papa abriu também uma tensão latente ao longo destes anos: não teria a Igreja no Brasil deixado de lado sua missão estritamente religiosa, dedicando-se em demasia a questões de ordem temporal ?

Notas da Igreja

Nota é o termo eclesial que leva o fiel a descobrir ou a identificar sua Igreja.

A Igreja é Una: você perguntará, como os jornalistas: a Igreja está unida ?

Normalmente, professamos que a Igreja é una, porque professa a mesma fé, administra os mesmos sacramentos e é orientada pelos mesmos pastores.

Nestes pontos, há houve momentos de divisão e de desunião ao longo dos séculos. Hoje, os problemas, nestes campos, quase não afetam a Igreja como um todo.

Todavia, se for posta em julgamento a sua missão junto ao povo, as opiniões podem dividir-se. O pluralismo na interpretação dos fatos e nas propostas pastorais de solução tem em sua origem na inteligência, no coração e na experiência do próprio homem. Também é verdade que o Povo faz o seu pastor como o pastor faz o seu povo.

No entanto, a unidade é recomendação expressa de Jesus a seus Pastores. É prova de credibilidade. Daí, a proposta tão sábia de Santo Agostinho: unidade nos assuntos indispensáveis, liberdade no que é duvidoso ou discutível; em tudo, caridade.

E se ainda assim não se entendessem os católicos deveriam aprofundar a busca humilde e objetiva, sob a orientação dos Pastores, Bispos e Papa.

Santa: apesar de destinada à santidade, a Igreja tropeçou sempre sem seus defeitos humanos.

Santo é aquele que imita a Deus-Amor; aquele que conforma, quanto possível, a vida à de Jesus, que cultivou a intimidade total com o Pai, servindo aos mais pobres e dando a vida por todos; aquele que obedece ao Espírito Santo, que leva à harmonia esta dupla doação ao Pai e aos irmãos todos.

Não faltam à Igreja as graças, ou seja, os recursos de chegar à santidade dentro da luta por uma civilização do Amor. Este Amor no entanto foi confiado à nossa frágil liberdade.

Católica: Católica deve ser a Igreja, por ser destinada a levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude. Foi a ordem de Jesus e em parte se verifica hoje como fato histórico. Os discípulos do Nazareno foram a todas as partes do mundo, para evangelizar, batizar e, se possível, tornar novas todas as coisas.

Católica também deve ser a Igreja, porque procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens.

No entanto, “não se trata tanto de pregar o Evangelho a espaços geográficos cada vez mais vastos ou populações maiores em dimensões de massa, mas de atingir e modificar os critérios de julgar, os valores que contam…. e os modelos de vida da humanidade.”

Na mentalidade comum do fiel no Brasil, ser católico significa aceitar o Papa e aquela religião que nos acompanha na história desde o berço, venerando Nossa Senhora, como sinal de identidade e confiança na vida.

Apostólica: tradicionalmente dizemos que a Igreja é Apostólica, porque conserva a pregação escrita e viva, transmitida desde o tempo dos Apóstolos de Jesus.

Para os leigos, identificados com o programa da Igreja, o termo “apostólico” vem carregado do sentido mais profundo. Todos os batizados assumem a missão de Cristo e são por Ele enviados aos homens que encontram pela vida a fora.

Como os primeiros apóstolos e discípulos, falam e agem em nome e pela força de quem os enviou, o Cristo.

Padre José Oscar Beozzo

(jbeozzo@ax.apc.org)

Sites na Internet

CNBB – Brasília – www.cnbb.org.br

Vaticano – Itália – www.vatican.va

Informações Gerais – www.riial.org

www.iglesia.org

http://ekeko.rcp.net.pe/IAL/vm/sites.htm

http://www.caritas.org.br

www.christusrex.org

www.evangelizacao2000.com.br

Rádio do Vaticano – Itália – http://www.wrn.org/vatican-radio/

Introdução ao Cristianismo – http://www.terravista.pt/Nazare/1946/

Jesus Cristo Te Ama – http://www.ufsc.br/~cristaos/

Mundo Católico – http://www.zaitek.com.br/~salvador/catolic.html

Associação do Senhor Jesus – http://www.asj.org.br

Rádio & TV Canção Nova – http://www.cancaonova.org.br

RedeVida de Televisão – http://www.redevida.com.br

Serviço à Pastoral do Rádio – http://www.paulinas.org.br/separ

Capela de Nossa Senhora de Loreto – http://www.ccasj.cta.br/capela

Católicos – http://www.catolicos.com.br

Centro de Informações da Renovação Carismática – http://www.cpdee.ufmg.br/~sonic/rccind.html

Centro de Estudos Bíblicos – CEBI – http://www.ongba.org.br/memoria/cebi/

Endereços para contato

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – Brasília
Presidente – Dom Lucas Cardeal Moreira Neves
Setor de Embaixadas Sul – Qda. 801 Cj B – 70401-900
Telefone: 061.2252955 / Fax 3224120
Dom Raymundo Damasceno Assis
Email: cnbb@embratel.net.br
Salvador
Av. Sete de Setembro, 1682 / Campo Grande – 40080-001
Caixa Postal 1907 – 40001-970
Telefone: (071) 336-5433 (resid.) / Fax: (071) 336-4039
Rio de Janeiro
Presidente: Dom Karl Josef Romer
Rua Benjamin Constant, 23 – Ed. João Paulo II, sala 520 / 20241-150 Rio de Janeiro
Telefone: (021) 232-2025 / 292-3132 / Fax:(021) 232-2025
São Paulo
Presidente: Dom Frei Fernando Antônio Figueiredo
Rua Prof. Sebastião Soares de Faria, 57 – 5º andar / 01317-010
Caixa Postal 65048, 01390-970
Telefone: (011) 288-0289 / Fax: (011) 287-1451
Rio Grande do Sul
Presidente: Dom Altamiro Rossato
Av. Cristóvão Colombo, 147 apto. 101 – Bairro Floresta /
90560-003 – Porto Alegre-RS
Telefone: (051) 225-8483 / Fax: (051) 224-1893
ABESC (Associação de Escolas Superiores Católicas)
Presidente: Pe. Theodoro Peters, SJ
SCN Q. 06, conj. A. Bl A salas 907-910 / 70718-900 BRASÍLIA- DF
Telefone: (061) 225-5142 / Fax: (061) 225-5142
Emissoras de rádios e televisão
TV Rede Vida
TV Canção Nova
Rádio FM da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Catedral FM 106,7 – http://www.fm106.com.br
Rádio da Arquidiocese de São Luís / MA
Rádio Educadora AM 560 – http://www.educadora.elo.com.br

Livros Indicados

Os principais livros para entender e compreender a Igreja Católica são: a Bíblia, os Documentos do Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica.

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