Religião Romana

A adoração pelos romanos de, praticamente, todo o Panteão grego ocorreu em época tão remota de sua história, que se torna difícil apurar senão muito pouco a respeito das características da religião romana primitiva.

A tradição atribui ao rei legendário, Numa Pompílio, a fundação duma religião internacional, valendo-se do auxilio da ninfa sagrada Egrégia, mas o que se supõe ter sido a vida daquele rei está de tal modo obscurecido pelo mito, que o próprio fato de sua existência é posto em dúvida por numerosas autoridades.

Sabemos, todavia, que em tempos primitivos os romanos procedentes da religião do Danúbio acreditavam fervorosamente na magia e nos espíritos. Estes espíritos transformavam-se gradativamente em deuses, ligados menos a lugares determinados do que a certas ocupações diárias e sazonais do povo.

Jano protegia a porta, e Vesta, o lar. Saturno era o deus que presidia o plantio. Ceres amparava o crescimento dos cereais. Ops era o patrono das safras, e Pomona a deusa das frutas.

Com exceção de Vesta, todos estes deuses eram adorados ao ar livre, podendo pois considerar-se, esta época religiosa, a do animismo agrícola.

Sob os Tarquínos etruscos, pai e filho, apareceram deuses de fato, com templos. Júpiter, Juno e Minerva formaram a grande trindade romana. O templo de Júpiter sobre o Monte Capitolino, cuja construção, segundo consta, foi iniciada pelo velho Tarquínio e concluída pelo filho, era objeto de grande veneração dos romanos.

Ter-se-ia desenvolvido, possivelmente, um vigoroso monoteísmo, no qual Júpiter fosse o deus supremo, mas nos três séculos decorridos entre 500 e 200 antes de Cristo, sobreveio, paralisando a ascendência crescendo do grande deus.

À medida que os romanos conquistavam as cidades vizinhas, os deuses destas eram incorporados ao Panteão nacional. Acresce o fato de a prosperidade de Roma haver-se originado dos numerosos estrangeiros que traziam consigo os deuses próprios, sendo-lhes permitido à vontade, o culto dos mesmos.

Sob a ameaça de uma grande calamidade atingir o Estado, os volúveis romanos procuravam o auxilio de outros deuses. Por exemplo, em 293 a. C., quando em Roma se alastrara grande peste, importou-se o deus grego da cura, Esculápio, a fim de sustar o flagelo.

Uma deusa advena recebida com grande regozijo, por pouco deixou de levar todo Estado a um desastre: Cibele, a grande mãe.

Ligada ao seu culto existia uma pedra meteórica, a qual, provavelmente, se assemelhava a Caaba dos muçulmanos. Todavia, o culto de Cibele introduziu a chancela religiosa para os excessos sexuais. Combinamos estes com os ritos de Baco, que nos deu “bacanal”. O culto de Cibele tornou-se tão popular que o senado romano, a despeito de sua política permanente de tolerância religiosa, se vira obrigado, em defesa do próprio Estado, a por cabo à observância dos rituais da deusa-mãe.

No século anterior ao do nascimento de Cristo e em um ou dois outros séculos depois, afluíram a Roma, do oriente, tantas crenças e mistérios, que pouco restou da religião romana original. A grande cidade transformou-se em verdadeira semeadura de cultos de toda a espécie, cada qual em busca de supremacia.

Finalmente, surge nova religião, proveniente da Palestina. Apenas notada a principio, robusteceu-se gradativamente graças à pureza de seus ensinamentos e à fé de seus adeptos, fé inquebrantável até à própria morte. No começo do quarto século de nossa era, Constantino estabeleceu o cristianismo como religião oficial do Império Romano.

Ainda uma vez uma crença sem líder sucumbe ante o avanço triunfal de religião inspirada por grande personalidade.

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